¤ Iminente frustração
São 5 horas da manhã, e acabei de comentar com o Ronald Rios no MSN: "Vou comer e, quando voltar, vou escrever alguma coisa. Não sei onde, nem o quê, mas tô na pilha pra escrever". Quer dizer.. isso foi há uma hora atrás, mas acho que ainda posso dizer que foi algo bem recente.
Fui comer e cá estou. Vamos lá. Vou escrever.
Tô olhando aqui pro monitor e pensando no que escrever. Quando eu falei, minutos atrás, com nítida empolgação, parecia que surgiriam temas fenomenais para abordar. Coisas que, se eu não escrevesse justo à essa hora da manhã, não escreveria nunca mais. Mas agora, bem, agora, neste exato momento, eu simplesmente não consigo pensar em nada que valha um post. Tudo bem que antes também não pensava, mas havia o pique, havia a vontade e, por consequência, a certeza de que tudo ia fluir naturalmente e da melhor forma possível.
Pois bem. Na visível enrolação das linhas acima, que eu fiz questão de digitar refletindo por vários segundos a cada palavra escrita, 10 minutos se passaram. Eu tô aqui esperando. Uma luz. Um tema.
E eu sei que você também espera alguma coisa. Afinal, eu já lhe fiz acreditar que até o final deste post vou fazer uma piada sensacional, criar uma polêmica ou dar mais algum dos meus ensinamentos tão indispensáveis para sua rotina diária. Algo que vai lhe fazer sair deste blog pensando que valeu a pena ter entrado aqui. E olha que isso deve ser algo incomum. Raro, mesmo. Olha, continue lendo, talvez seja até inédito.
Pois bem, vejamos.
Falei "Pois bem" mais uma vez, é bom me policiar pra não repetir isso excessivamente.
Pois mal. Vou escrever. Veja só, se eu tirar o ponto final da primeira frase deste parágrafo, a frase que se formará definirá bem este texto. Mas não era bem isso. É algo como.. bom, não sei o quê.
Pois. Mais 10 minutos passados desde o último e agora evitado "Pois bem", acusa o relógio do Windows. Tempo bonito lá fora. Passarinhos cantando.
É dia, "Bom dia!".
Já se foram algumas linhas.
E aqui vai outra.
Este texto vai ficando volumoso (e sua paciência, certamente, cada vez menor) mas tenha calma, porque tenho consciência que não era isso que eu tinha em mente. Na verdade, eu ia falar sobre.. caramba, são 5:30!
Que coisa.
Mais uma linha pra ajudar na espera da inspiração que não chega.
E mais 7 minutos se foram.
Mas vamos parar de ziguezaguear sem destino, eu vim aqui pra escrever e vou escrever. Agora sim, demonstrei convicção.
Eu prometo e cumpro, perceba.
Certo. Ok.
Vou dormir.

¤
Um dos motivos pra ter fugido da convocação pra escrever resenhas oficiais das bandas do Varadouro é que é difícil ser totalmente honesto. No meio de textos meus que se propõem a ter algo de engraçado, você sempre vai encontrar algumas opiniões sinceras. E eu gosto de ser sincero. Ok, às vezes, especialmente quando falo de música - importante ressaltar, antes que seu queixo tenha caído tanto, a tal ponto que seja impossível recolocá-lo no lugar. O post abaixo foi uma crítica, bem sutil, à este fato. Às vezes, ao desempenhar este papel de resenhar um show, vemos a banda se apresentar e não sabemos bem o que dizer posteriormente.
Pra começar, é notório que muitos shows realmente se destacam, e aí é fácil descrevê-los. Mas se não teve nada de especial, você precisa procurar coisas que possam ser valorizadas. Quem sabe até inventar. Fulano tava cantando a música junto com o vocalista? "O público cantava junto", pode-se escrever. 4 gatos pingados dançavam e pulavam? É o suficiente pra dizer: "Foi um estouro, a banda envolveu o público!". Alguém lá no fundo pediu bis? É a glória: "O Varadouro foi pequeno demais para a banda tal!".
Pior ainda, se foi ruim, se foi muito ruim, você não pode dizer que foi, não é ético pra quem faz cobertura jornalística oficial de um evento, em especial nessa tal cena independente, que sobrevive com troca de favores, elogios recíprocos entre as bandas - por vezes, com falsidade de ambos - e apoiando até quem não demonstra talento, afinal defende-se a idéia de que todos merecem uma chance. E merecem mesmo, a verdade é que público sempre há. Por pior que seja a banda, sempre tem alguém que goste. Mesmo que seja só a família e os amigos. E evolução é algo que sempre se pode esperar, embora fique mais difícil quando a banda já tem muitos anos de estrada.
As resenhas oficias do Varadouro estão no site do festival e no Grito Acreano. Não se supreenda ao notar que todas falam bem das bandas. As críticas quase não aparecem. E, se foi assim, será que não valeria uma resenha única para todas as bandas, e que apontasse somente detalhes positivos, como sugerido no texto abaixo? Pra refletir.
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O outro motivo é que.. bom, eu não prestei atenção na maior parte dos shows. Sabe como é, anda pra cá, anda pra lá, cumprimenta fulano, fala com sicrano.
É, a minha sinceridade é que destrói minha tentativa de terminar de forma marcante um texto crítico.

¤ Varadouro 2007 - Resenha das bandas

Prometi comentar sobre as bandas do festival Varadouro.
Pois bem. Segue a resenha.
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_____________ mostra o rock como ele deve ser
Por Thiago Fialho
Uma das surpresas da noite, a banda _____________ demonstrou no palco como evoluiu nos últimos tempos. Com arranjos interessantes, qualidade autoral em canções bem estruturadas e melodias bem construídas, a banda faz música competente e honesta. Merece destaque a qualidade do processo de composição, que produz canções agradáveis e repletas de bons momentos. Aquele tipo de som que costuma agradar logo na primeira audição. Mesclando suas influências do rock de décadas passadas com sua sonoridade própria - algo que fica bem visível na pegada particular de quem comanda a bateria - o grupo criou um som único, que cativa a todos que gostam de um bom rock and roll, e sem cair na mesmice. A cada acorde de guitarra, a cada linha de contrabaixo, a cada virada da bateria, a cada mudança de tom na voz que ecoa do palco, o público responde fielmente e se envolve com toda a emoção musical transmitida pelos integrantes do conjunto. Com uma química perfeita, o grupo deixa admiradores por onde passa. A linha que separa o sucesso do ostracismo é tênue, mas a banda parece saber onde pisa. E, sem dúvida, tem um grande potencial para crescer mais e mais.
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Ta aí. Já valeu minha credencial pro evento.
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Não faça aquela pergunta idiota "Mas afinal, de qual banda você tá falando?".
A resenha vale para TODAS, ora.
É a nova lógica do jornalismo musical na era da internet.
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atualização: mas que m****, "O quarto das Cinzas" tem uma bateria eletrônica. Neste caso específico, quando eu falei ali em cima da "pegada particular de quem comanda a bateria", entenda como "pegada particular do Windows".
¤ O lado chato de Tropa de Elite
O filme é ótimo, o chato mesmo são os atrasados. Se você é um sujeito que tá sempre ligado nas últimas novidades da pirataria, já deve ter visto o filme logo após ele ter vazado, assim como eu. Ou seja, já deu tempo de achá-lo uma maravilha, de indicá-lo, de fazer piadas com os personagens e suas frases, de assistir trilhões de vezes, de baixar o "Rap das armas", enfim. Já deu. Passou. Só que, recentemente, é que a maior parte dos seus amigos assistiram e entraram na mesma onda. E você não aguenta mais. E olha que o filme só entra em cartaz nesta sexta. Ou seja, pelo menos mais um mês de "moda-tropa-de-elite" por aí.
¤ Blogando no Varadouro
A partir de hoje, estarei escrevendo, também, no blog do Festival Varadouro.
A diferença é que, por lá, tenho que adotar outro comportamento, do tipo paz e amor, e não irei criticar bandas ou fazer piadinhas com elas. Vou apontar apenas os pontos positivos das bandas que irão participar, falar sobre música em geral, além de comentar sobre o festival. Vejo vocês lá.
¤ Apenas comentando
Domingo eu fui a um campeonato de skate.
Eu não quero fazer uma "resenha de campeonato de skate", porque é muito "fim de carreira". Tudo bem que eu sou um blogueiro decadente, mas daí a cobrir campeonato amador de skate é o fim da picada.
Então eu vou apenas comentar sobre, já que eu estava lá. E porque eu não tenho mais nada pra falar nesse blog. É, na verdade é esse o grande problema. Eu já enjoei de falar da faculdade. Já não abordo temas polêmicos só pra atrair audiência. Pra discutir relacionamentos e comportamento de menininhas, tenho outro blog (só para os espertos). Nunca mais descobri uma banda de indie rock que realmente me empolgue. Enfim.. acho que eram os temas mais frequentes.
Então vamos falar do campeonato de skate amador.
Fui no campeonato de skate, esperando ver.. hummm... bom, eu fui sem esperar nada. Esperei ver skatistas e uma pista de skate, óbvio. Mas eu não entendo nada de skate. Aquelas manobras todas tipo "Back-flip" (essa eu tô chutando, suponho que exista), "Backside", "grab", "Frontside", "Kickflip".. (essas outras todas eu pesquisei no Google, pra pagar de bem-informado), e etc (botei logo um "etc" pra finalizar esse papo, porque eu cansei de pesquisar no Google). Aquilo tudo pra mim é grego.
Mas eu bem que esperava ver algumas "manobras radicais". É, acho que fui lá esperando isso. Manobras radicais seguidas de quedas. Muitas quedas. É divertido ver skatista caindo.
Maldito desejo..
Pois foi o que eu mais vi. Skatista caindo. As manobras radicais ficavam pela metade. Ninguém acertava nada. Não sei como ainda conseguiram selecionar 4 finalistas em cada uma das categorias. Um amigo meu foi lá pra filmar as performances, mas desistiu, pelo mesmo motivo. Filmar fracassos sucessivos? O apresentador comentava "e fulano dá um back-flip com final melancólico". Por "FINAL MELANCÓLICO" entenda-se "QUEDA". Era o que mais acontecia. Quando finalmente um skatista completou sua apresentação sem quedas, foi ovacionado por um grupo de amigos. Suponho que ele nunca tivesse feito isso na vida, pela reação dos amigos.
Taí o comentário.
E eu não quero "treta" com o povo do skate, então levem na paz e humor, porque skate é camaradagem, quedas e tal. Já basta os integrantes de bandas acreanas me odiarem.
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Porque, falando nisso, vai rolar o Varadouro dias 19 e 20, e aí..
As resenhas do Coca Mata. Ano passado recebi um e-mail revoltado, porém contido, de um integrante de uma banda de Heavy-Metal reclamando da minha crítica. Ele disse que eu não poderia escrever sobre o festival, já que não sou um jornalista credenciado para a cobertura dele. E ainda disse, no final do e-mail, para que eu mandasse um abraço para o Lúcio Ribeiro, que é quem realmente entende do assunto. Concordo. Lúcio Ribeiro é metaleiro. Nos dois parágrafos de sua cobertura do festival, descreveu toda a cena metaleira acreana. E fez até uma crítica melhor que a minha sobre a banda. Procurem lá.
A propósito, eis a "crítica" que eu escrevi.
Banda do fulano* = Massacration.
*Vou omitir o nome da banda, pra não receber outro e-mail revoltado.
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Bom, este ano eu vou novamente fazer minhas resenhas do festival. A minha cobertura é alternativa. Eu ouço as opiniões do público e me baseio nelas. É a cobertura do espectador. Ela não aparece nos textos que o festival divulga, aliás. Pelo modo como é escrita, nem é levada à sério. É tudo com ironia, mesmo. E se você, músico de uma banda que participará do festival, não gostar do que eu escrever, pense o seguinte: os meus textos, mesmo irônicos, às vezes são os mais sinceros.
É isso que eu chamo de ver as coisas pelo lado negativo.
Site do festival: http://www.festivalvaradouro.com.br
